Casamento não é um destino e sim uma construção diária. Descubra como crescer junto com intenção, mesmo quando as meias continuam pelo chão.
Quando você olha pro lado e percebe o que construíram
Essa semana eu olhei para o Vini, meu marido, no meio de uma atividade que estávamos fazendo e pensei: "quando foi que a gente virou isso?" Não digo isso com peso, mas com o coração quentinho, porque nesses anos que estamos juntos construímos uma relação tão sólida, com tanta parceria — e ela não veio do dia para a noite, e não veio sem intenção.
Desde quando éramos namorados eu pensava que não queria só um amor para viver a vida, mas queria alguém para construir uma história comigo. E isso é bem diferente do amor romântico: é um amor construído.
Durante esses anos busquei sempre aprender com o meu marido. Seja em ser uma pessoa mais equilibrada, seja em lidar com os desafios com mais leveza. Também procurei passar para ele as minhas forças e minhas qualidades — mas, claro, as meias ainda continuam pelo chão e a luta para o lixo sair do apartamento segue intensa.
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Romantizar o crescimento é um erro — ele dói
Obviamente nada disso é fácil nem tão tranquilo quanto parece. Romantizar o crescimento em qualquer área da vida é um erro grave, pois nem sempre estamos prontos para a mudança, e as mudanças doem — acho que, às vezes, até doem demais.
O fato é que estamos em constante transformação, tanto como indivíduos quanto como casal. Nossa vida passa por diversos momentos, e é nessas horas que temos o poder de escolher crescer ou estagnar.
Relacionamentos perfeitos e romantizados muitas vezes são confundidos com papéis fixos, rotina maravilhosa e zero atrito — mas não é bem assim. O que importa mesmo é se os dois estão preparados para ser o suporte um do outro quando o sapato apertar.
O cordão de três dobras: eu, ele e Deus
"Melhor é serem dois do que um... porque se caírem, um levanta o companheiro; mas ai daquele que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante." Eclesiastes 4:9-10
"Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se quebra tão depressa." Eclesiastes 4:12
Pra mim, esse cordão de três dobras é exatamente isso: eu, o Vini e Deus segurando junto — não porque a gente seja fraco sozinho, mas porque, com Deus no meio da nossa história, essa corda fica bem mais difícil de arrebentar.
Quando um cai e o outro não ajuda a levantar
A gente lê esse versículo e já imagina o padrão nota 10, mas vamos falar um pouco sobre relacionamentos em que um cai e o outro não ajuda a levantar?
Conheço alguns casais assim, que infelizmente veem o outro passar por um problema e o deixam se virar sozinho. Isso, além de não fortalecer nenhuma das partes, acaba enfraquecendo o casal. Aquele diálogo comum: "ah, mas essa é a parte dele na nossa casa, ele que se vire."
Pode não acontecer com frequência na nossa casa, mas acho que já pode ter acontecido na sua — na minha já aconteceu. E o pior é que, na hora, a gente não pensa no crescimento mútuo, no amor que cresce; só pensa "a minha parte está feita, o outro precisa fazer a dele."
Muitas vezes estamos sobrecarregados demais, e é claro que um precisa ajudar o outro para a peteca não cair. Numa família, ninguém pode fazer tudo enquanto o outro só assiste. A nossa ideia nesse texto é justamente abordar a importância da construção feita a dois.
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Cada um dá 100% — não 50%
Dito isso, eu também não acredito naquele ditado clássico de que cada um precisa fazer os seus 50%. Acredito que cada um deve dar os seus 100% dentro de uma família. Dessa forma pode haver crescimento e companheirismo.
Fãs um do outro: como isso funciona na prática
Eu e o meu marido não somos o casal da margarina, mas alguns hábitos que temos juntos nos ajudam a crescer como indivíduos e como casal.
Já contei num texto anterior sobre nosso hábito de ter uma noite da semana só nossa (leia aqui — link), mas além disso, somos os principais fãs um do outro. Estamos sempre nos apoiando e nos aconselhando para crescermos cada dia mais.
Meu marido está concorrendo a uma candidatura política, e sempre brinca que o primeiro voto que ele precisa ter é dentro de casa! Até o momento, o meu voto é certo (risos).
Existem muitas coisas a serem feitas em uma campanha política para que tudo ocorra de forma organizada. Essa foi uma escolha nossa, mas a maior parte é dele. Não é por isso que eu deixo de ajudar em tudo que posso — seja limpando os banheiros do comitê, arrancando os inços do jardim ou dando ideias para vídeos nas redes sociais.
Eu e o Vini acreditamos que todas as escolhas que fazemos como indivíduos devem ser escolha dos dois. Deve ser debatido entre os dois, pois sempre a outra parte será impactada de alguma forma, principalmente quando falamos sobre decisões profissionais.
Um casal que não compete — constrói
O importante de tudo isso é a força que tem um casal que não compete, mas que constrói junto.
Cada tijolo da construção dele tem um pouco de mim, e cada tijolo da minha construção tem um pouco dele.
O casamento não é o fim do crescimento de ninguém — é o lugar onde dois crescem porque têm alguém do lado para levantar quando caem. Você sente que está construindo junto ou apenas coexistindo?
Para continuar essa conversa
Se esse texto te moveu de alguma forma, talvez seja porque você já estava se fazendo as perguntas certas. Toda essa conversa tem um endereço. A Nooma. é uma igreja em Novo Hamburgo que se reúne aos domingos, clique aqui.
Vem com a gente.