Você busca a presença de Deus só no domingo? Descubra por que Ele quer ser encontrado no ordinário — na louça, no trabalho, na beira do mar.

Quando Deus aparece na beira do mar

O vento me abraçava enquanto o ar quente esquentava meu coração. O som das ondas do mar e a imagem dos pássaros voando. Era exatamente ali que eu queria estar — e Ele estava lá também.

Todo ano vou ao litoral para descansar na casa dos meus pais, e uma das minhas coisas favoritas é caminhar na beira do mar. Já faz alguns anos que, em uma dessas caminhadas, sinto a presença de Deus me envolvendo e me direcionando. São palavras para o ano — palavras de incentivo, de direção, palavras de um Pai amoroso que sabe exatamente o que eu preciso ouvir.


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Deus não cabe dentro de uma caixa

Pode parecer clichê, mas dizer que Deus está em todos os lugares não está errado. Deus é infinito, onisciente e onipresente. Isso significa que Ele está em todos os lugares ao mesmo tempo. Que loucura, não é mesmo?

"Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás." Salmos 139:7-8

Nossa sociedade tem o hábito de criar ambientes materiais para coisas espirituais — e isso não é exclusividade dos cristãos. Faz mais sentido para nós o que é visível: espaços físicos, práticas concretas, rituais. Somos tentados a colocar Deus numa caixa. Mas Deus é totalmente fora da caixa. Um ser relacional.

Paulo disse isso no meio de Atenas — uma cidade cheia de templos, altares e deuses. E ele apontou para o céu e disse: Ele é maior que tudo isso. Ele não cabe aqui dentro.

"Não habita em templos feitos por mãos de homens." Atos 17:24

Deus quer participar do seu ordinário

Pensa nisso: Deus, com toda a sua potência e esplendor — satisfeito em si mesmo, sem precisar de nada — decidiu criar a humanidade para se relacionar com ela. Ele não criou você apenas para existir e cumprir funções. Ele te criou para dividir com Ele as angústias e as alegrias da vida. Deus quer participar do que é seu.

Não apenas com um arrepio no culto de domingo, com lágrimas na hora do louvor ou indo para frente quando o pastor chama. Deus quer se relacionar conosco de segunda a segunda. No almoço e no jantar. No trabalho e no banho do bebê. Deus quer estar conosco no ordinário.

"Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance; é tão elevado que não o posso atingir." Salmos 139:5-6

Encontrar Deus na louça e na planilha

Tish H. Warren, no livro ‘Liturgia do ordinário’, fala exatamente sobre isso: encontrar Deus enquanto lavamos a louça, arrumamos a casa, fechamos a planilha, fazemos compras no supermercado. O ordinário não é onde Deus está ausente — é onde Ele mais quer ser encontrado.

Outro livro que fala sobre esse relacionamento é 'A experiência da mesa', de Deivi Titus, que nos ensina a colocar a mesa para Jesus. Sabe aquele dia que é só você para o jantar? Experimente colocar a mesa para Ele e ter um tempo de qualidade juntos. Assim como fazemos com nossos maridos e amigas, sentar à mesa e colocar o papo em dia com Jesus pode ser um divisor de águas na sua semana.


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O perigo de viver como órfão quando você é filho

Existe um perigo silencioso em colocar Deus dentro de uma caixa religiosa. Quando isso acontece, a vida começa a fazer sentido apenas pelo que vemos. Nossos dias passam a ser guiados pela nossa própria força. As frustrações aumentam, e deixamos de viver como filhos para nos tornarmos órfãos — não porque Deus foi embora, mas porque nós é que nos afastamos.

Mas a verdade é que não somos filhos só nos domingos. Somos filhos de segunda a segunda, na madrugada e durante o dia. Nosso Pai não sai do nosso lado nenhum minuto. Viver com essa compreensão muda tudo — muda a forma como acordamos, como tomamos decisões, como enfrentamos o que não entendemos. Nosso Pai conhece o futuro e sabe o que é melhor para nós.

"E o Senhor disse a Jacó: Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e eu estarei com você." Gênesis 31:3

A igreja é o ponto de partida — não o destino

Não que ir à igreja esteja errado — longe disso. É na comunidade que o Espírito Santo nos ensina profundidades da Palavra que sozinhos dificilmente alcançamos. É no culto que encontramos nossos irmãos de fé, pessoas que creem no mesmo Deus que nós e que nos incentivam a ir além. A igreja é um presente.

O que Paulo questionava não era a reunião — era a redução. Deus não pode ser reduzido a um endereço, a um horário, a uma estrutura. A igreja é o ponto de partida, não o destino final. É de lá que saímos equipados para encontrar Deus na segunda-feira, na quarta, no sábado à tarde — em todo lugar.

Existe uma voz que chama — e ela sussurra

Existe uma voz que chama. Não grita — sussurra. Todos os dias, chamando a gente de volta para casa. De volta ao relacionamento com o Pai.

E talvez seja na beira do mar, com o vento no rosto e o coração aquecido, que a gente finalmente ouça esse sussurro com mais clareza.

Deus não mora em prédios feitos por mãos humanas. Ele mora em tudo — e quer morar em você, no ordinário de cada dia.

Quando foi a última vez que você encontrou Deus fora de uma estrutura religiosa?



Para continuar essa conversa

Se esse texto te moveu de alguma forma, talvez seja porque você já estava se fazendo as perguntas certas. Toda essa conversa tem um endereço. A Nooma. se reúne aos domingos, em Novo Hamburgo, clique aqui.

Vem com a gente.

Stefani Friedrich
Nooma Church