A rotina com crianças pequenas é repleta de regras. Afinal, sem elas o mundo seria caótico. Então, nos esforçamos por ensiná-las aos nossos filhos e nos certificar de que eles crescerão compreendendo como as coisas funcionam, para o bem deles e para nosso deleite. Quem não quer receber aquele elogio: “Seus filhos são incríveis! Como você faz para que sejam tão educados?” Lamento informar que, por mais esforços que você empregue aplicando suas regras, seus filhos sempre terão uma incrível inclinação à desobediência. Eles certamente farão com que você sinta vergonha e um sentimento avassalador de derrota.
Mas eu não quero que você sinta desânimo e desista de educar seu filho à luz das Escrituras. Muito pelo contrário. O melhor lugar para que seu filho aprenda as melhores regras para a sua vida é exatamente ali, na Bíblia.
Compreendendo o propósito do ensino
Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Provérbios 1:8
“A repetição é a mãe do aprendizado” Provérbio latino
A repetição sempre fez parte da rotina de estudos dos maiores pensadores do mundo. Aristóteles e Quintiliano enfatizaram a importância do hábito na formação do caráter e da prática constante no aprendizado diário do estudante. As Escrituras nos ensinam exatamente isso, elas são a maior fonte de inspiração e motivação que podemos encontrar ao nos depararmos com nossas rotinas desorganizadas e cheias de falhas. Elas nos ensinam a tentar mais uma vez. Provérbios não apenas nos mostra que a sabedoria está em ouvir o ensino de um pai e a instrução de uma mãe, mas revela também a insistência e perseverança com que esses pais devem se portar diante desse ser em construção.
Essa expressão “filho meu”, em Provérbios 1:8, me remete sempre àquela conversa insistente, ao longo do dia, em que somos levados a repetir vez após vez as palavras que desejamos ardentemente que nossos filhos não apenas ouçam, mas absorvam como essenciais às suas vidas. Num dia, precisamos repetir a tabuada, em outro, como devem colocar a camiseta do lado certo. E também há dias em que olharemos nos olhos deles e diremos verdades eternas, cheios de lágrimas e esperanças de que eles estejam nos ouvindo também com o coração.
E assim os dias passam, como meteoros, e às vezes nem dá tempo de contá-los. Porém as repetições não serão perdidas, elas se acumulam e vão dando forma ao intento que Deus planejou para cada um desses ensinamentos. Dito isso, não deixe de repetir.
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. Provérbios 22:6
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Qual é a vontade de Deus para meus filhos?
Todos nós já nos fizemos essa pergunta. O futuro parece incerto, o presente é cheio de dissabores, e o passado traz à memória oportunidades que perdemos. As demandas se acumulam e as 24 horas do dia parecem não ser suficientes para os intentos que temos de cumprir nessas vidas preciosas que Deus nos confiou.
Seja qual for a pergunta que você faça a Deus, qualquer que seja o caminho à sua frente, ele não será largo, mas, sim, estreito. Perguntar qual é a vontade de Deus para nossos filhos revela um desejo por honrá-lo na tarefa de encaminhá-los neste caminho estreito. Mas a resposta a esta pergunta não está contida exclusivamente nas decisões que tomamos por nossos filhos, pois muitas vezes fazemos escolhas erradas. Independentementeda qualidade de nossas escolhas, podemos sempre voltar a ouvir o conselho bíblico; nem tudo estará perdido. Nenhuma decisão impensada ou oportunidade perdida pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus.
Escolhas certas não fazem pessoas certas
Diante disso, a melhor pergunta não deveria ser: “O que meus filhos devem fazer?”, mas “quem eles devem ser?”. Pois, de que adianta eles escolherem o melhor emprego se estiverem consumidos pelo egoísmo? O que adianta eles escolherem o cônjuge certo, a cidade perfeita, se ainda estiverem dominados pela cobiça? Isso nos faz refletir que as escolhas certas não nos fazem as pessoas certas, pois quem não conhece a Deus também pode fazer “boas escolhas”. Mas somente uma pessoa habitada pelo Espírito Santo fará uma boa escolha glorificando a Deus. O apóstolo Paulo falou sobre isso quando disse aos crentes:
...somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. 2 Co 3:18
O Evangelho nos ensina que a graça que Cristo nos concede está nos transformando naquilo que deveríamos ter sido, restaurando nossa imagem, perdida no Éden. Mas qual é a imagem de Deus? Bem, muitos teólogos se debruçaram sobre esta pergunta e certamente podemos chegar a esta respostaconhecendo as Escrituras. Principalmente quando entendemos que a imagem perfeita de Deus está em Cristo, enviado em forma humana para que tivéssemos a quem imitar.
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Sobre isso, gosto de pensar num episódio em que minha filha de sete anos estava numa biblioteca e, procurando ativamente e ansiosamente um livro que poderia levar, ela foi interrompida por um palhaço que estava animando um evento no local. O problema é que ele não sabia que minha filha não gostava de palhaços e ela ficou completamente inerte às diversas investidas e piadas que ele tentava aplicar nela, e seu rosto demonstrava bem seu descontentamento. Ele precisou desistir e procurar outras crianças mais “amigáveis”. Enfim, chegamos a casa e conversamos sobre o ocorrido. Dei-lhe um sermão e expliquei em detalhes que, ao nos depararmos com pessoas não tão amáveis aos nossos olhos, nossa atitude não deve ser de desprezo ou aversão. Como representantes de Cristo, receber a todos com respeito e dignidade é o mínimo que podemos fazer em qualquer circunstância. Então, meu filho do meio disse: “Sim! Com bondade!”, sendo que ele, no dia anterior, havia chamado seu grande amigo de idiota. Naquele momento, pude perceber que na visão limitada deles sobre relacionamentos e sobre quem é Jesus. Infelizmente eles não aprenderam consistentemente e repetidamente que nós só podemos amar após experimentarmos esse amor primeiro.
Um último apelo à repetição
Ensinar repetidamente e, principalmente, com atitudes, é minha maior tarefa como mãe. Cobrar de meus filhos que sejam imitadores de Jesus sem que tenham plenamente conhecido este amor é como exigir que reproduzam uma obra de Monet sem que nunca tenham tocado num pincel. Continuamente somos desafiados a lidar com o desprezo, a rebeldia, a desobediência, e Deus nos chama a deixar nosso ego e declarar, vez após vez a estas almas eternas, que as amamos, independentementeda retribuição deste amor. Este foi o amor que Deus teve por nós. O amor ágape demonstrado por Deus não apenas sente, ele age. A Bíblia descreve o termo ágape 259 vezes, ela o repete consistentemente. Não é como o amor que temos pelo cônjuge, pelos filhos ou pelos nossos amigos. Esses tipos de amor requerem algo em troca. O amor ágape é um amor sobrenatural e não pode ser reproduzido sem o poder do Espírito Santo, mas Ele não nos deixa sós, nos capacita para cumprirmos exatamente o papel que nos outorgou.
Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 1 Jo 4:19
Se você perguntar a uma mãe verdadeiramente cristã, no fim de sua vida, sobre o que ela teria feito diferente, certamente ouviria dela que deveria ter investido mais em relacionamentos. Não deixe que a rotina ou as regras (incrivelmente importantes) façam com que seus filhos deixem de conhecer a imagem de Cristo estampada através de sua vida — mesmo que isso nos custe muito: nossas preferências, nosso tempo, nossas vontades e direitos. Isso muda tudo, isso realmente eleva nossos lares a espelharem pequenos vislumbres do céu.
Para continuar essa conversa
Se esse texto te moveu de alguma forma, talvez seja porque você já estava se fazendo as perguntas certas. Toda essa conversa tem um endereço. A Nooma. é uma igreja em Novo Hamburgo que se reúne aos domingos, clique aqui.
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