De tantos sonhos, entre saias rodadas, sapatilhas e vestidos floridos desde uma infância ingênua e simples, o que mais esteve vívido no imaginário entre panelinhas e bonecas, foi a possibilidade de poder um dia simplesmente cuidar e amar um outro pequeno ser. Anos e anos depois, quando temos o vislumbre desse sonho tomando forma, um sentimento travestido de alegria, mas muito genuíno, nos invade. E entre sorrisos, percebemos que sempre haverá mãozinhas que procurarão as nossas, olhares singelos que procurarão o nosso e corpinhos que se aninharão em procura de conforto. Nos invade e denuncia, em alto e bom som, que nunca mais estaremos sós. É isso: o amor de mãe chega para ficar.
A partir deste momento mágico, percebemos que é no ordinário que habita a felicidade.
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É sim, é no contemplar de frágeis e pequeninas vidinhas, em sua alegria que correm apressadas pela sala como se houvesse apenas o hoje, ou no sorriso enquanto descansam, como se tivessem todo o tempo do universo, que descobrimos que não há nada que nos faça mais feliz que simplesmente a graça de ver o milagre da vida nesses doces pingos de gente que adoçam nossa alma.
Contemplar o crescimento e a vida de quem amamos nos enche de uma alegria inexplicavelmente grande, mas que cabe no coração.
Por quantas vezes viajamos sozinhas, alçando voos altos através de nossos pensamentos e como quem sonha acordada, esboçamos sorrisos tímidos e peculiares pertinentes ao mundo da solidão de uma agora mulher, mas que no fundo sabe que não mais estará sozinha.
O que o amor de mãe realmente custa
Dentre tantas palavras em nosso dicionário de mãe, entre broncas e limites que aprendemos com a vida que precisamos dar para formar neles valores sólidos tão escassos hoje, a maior palavra exercida diariamente, mas nunca jamais pronunciada de forma audível é renúncia. Renunciamos a sonhos e planos justamente para podermos contemplar olhinhos fechados e pequenos sorrisos ainda com fraldas e chupetas, para podermos dar nossas mãos ásperas e calejadas de afazeres rotineiros para auxiliar os primeiros passos destes que um dia correrão e chegarão muito mais longe do que chegamos ou pudemos um dia sonhar em chegar. Esse é o preço e a glória do amor de mãe.
Nossos esforços, renúncia e amor pavimentam a estrada que eles correrão felizes e nesta altura já maduros e preparados para estrearem no espetáculo da vida e quanto mais apertados os “guardrails” que duramente insistimos em colocar, mais rápido correrão e ainda sem o perigo de capotarem nas acentuadas curvas da vida.
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Amor de mãe: a renúncia que ninguém vê
Ninguém imagina o tamanho da renúncia de cada mãe, apenas uma outra mãe de igual forma. Ninguém entende a profundidade de cada ato, apenas outro pai ou mãe, ninguém jamais soube o tamanho da dor de tantos momentos e a grandeza de se fazer um ninguém para que outro alguém tomasse forma.
Como uma mãe soletrar amor à semelhança de Cristo
Mães sabem soletrar amor, a exemplo de Cristo, como ninguém e fazem diariamente em pequenos gestos, na vida cotidiana, no ordinário, mas fazem em seu mais absoluto silêncio.
Se você é mãe, certamente aprendeu a soletrar amor e o fez em todos os seus dias de mãe, carregando no ventre, no colo ou no coração e o fez lindamente e continuará fazendo até que seus filhos aprendam de igual forma a soletrar e só o farão com profundidade quando estes se tornarem pais e mães como nós.
Se você é uma mãe aprendeu a soletrar amor e continua soletrando, o que posso dizer é que dentre outras coisas que compõe o amor de uma mãe, duas se soletram assim: R E N Ú N C I A E E N T R E G A
Você amou e ama com graça, agora vá, sonhe e corra feliz na sua estrada.
À TODAS AS MULHERES E MÃES, COM CARINHO
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