“Passados quarenta dias, Noé abriu a janela que fizera na arca. Soltou um corvo, mas este ficou dando voltas. Depois soltou uma pomba para ver se as águas tinham diminuído na superfície da terra. Mas a pomba não encontrou lugar para pousar os pés porque as águas ainda cobriam toda a superfície da terra e, por isso, voltou para a arca...” Gênesis 8:6-9

Dois voos, duas posturas de alma

A fé na crise raramente é linear, ela oscila entre dois voos. Os contrastes não servem apenas para mostrar o que é bom ou ruim, mas para revelar que, na vida espiritual, todos nós enfrentamos momentos de oscilar entre a postura do corvo e da pomba. Podemos focar nas perdas e no que restou do caos, ou procurar o solo firme da promessa e do novo tempo.

O comportamento do corvo e da pomba é uma excelente metáfora para as nossas reações diante das crises, enquanto a arca e o recuo das águas representam o tempo e o controle absoluto de Deus. Observe que, enquanto o corvo age pelo puro instinto de sobrevivência imediata, alimentando-se do que restou do caos, a pomba representa a busca por propósito, segurança emocional e o retorno à base. São os nossos dois modos de lidar com o trauma ou a espera.

A natureza do corvo e da pomba diante dos recomeços revela perspectivas diferentes, pois não enxergam o mesmo cenário. Analisando o pós-dilúvio e observando as duas aves, percebemos que as duas posturas da alma ficam evidentes.


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O modo corvo ou pomba no cotidiano da fé

Não é difícil adotarmos a tendência de agir como o corvo quando passamos por uma grande crise familiar, financeira ou de saúde. Quantas vezes nós, em meio à crise, nos acostumamos com o cenário de ruínas? Ficamos dando voltas em nossos problemas e, nos alimentando de mágoas passadas ou de soluções rápidas e instintivas, sem de fato buscar um solo firme.

Embora seja doloroso e necessário, a pomba sai, voa sobre o mesmo cenário de caos, mas se recusa a pousar na lama ou na morte. Ela não encontra descanso e escolhe voltar para a arca. Isso representa aquele momento em que olhamos para o mundo em crise e percebemos que o único lugar seguro para a nossa mente e coração é a presença de Deus — a arca. Ela cansa, mas volta para o lugar da aliança.

O agir da soberania de Deus

Lembre-se de que Noé esperou de sete em sete dias para soltar as aves novamente. Quem estava fazendo as águas baixar não era o bater de asas do corvo ou da pomba, mas o vento de Deus. A nossa ansiedade e os nossos mecanismos de reação não aceleram os processos de Deus. É preciso descansar na soberania dAquele que governa as estações.

Aqui entre nós, seja sincero e responda a si mesmo: diante das águas agitadas da vida, qual tem sido o seu voo? O do instinto que se alimenta dos restos do caos, ou o da esperança que insiste em buscar o solo firme das promessas divinas?


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Nenhuma tempestade dura para sempre

No tempo determinado, a pomba retornou trazendo em seu bico uma folha verde de oliveira. Não era apenas um pedaço de planta; era a prova física de que, enquanto Noé esperava em silêncio, a soberania divina estava trabalhando por baixo das águas para trazer uma nova vida à superfície.

Compreender os contrastes da vida sob a lente da espiritualidade é aceitar que passaremos por dias de corvo e dias de pomba. Haverá momentos em que nossa mente, cansada e ferida, reagirá por puro instinto de sobrevivência. Mas a maturidade na fé nos convida a imitar o voo persistente da pomba: mesmo não encontrando descanso imediato no caos, escolha retornar para o lugar seguro da aliança, aguardando pacientemente o sinal seguro de um novo começo.

O mesmo Deus que soprou o vento para fazer recuar o dilúvio governa a sua história hoje. Ele sabe exatamente quando a terra estará firme o suficiente para você pisar. Descanse o seu coração e confie na condução dAquele que, no momento certo, abrirá a porta da arca e o guiará para um novo tempo de plenitude e recomeço.

Para refletir: em qual voo você se reconhece hoje — no do corvo ou no da pomba? E se este texto chegou até você no meio de uma espera difícil, compartilhe com alguém que também precisa lembrar: a fé na crise não exige ausência de medo, exige a decisão de voltar para a arca.

Fé na crise não é ignorar o caos, é recusar-se a pousar nele.


Para continuar essa conversa

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Vem com a gente.

Carlos Hermel
Nooma Church