Você já se sentiu no chão, ferido, esperando que alguém parasse e ninguém parou? A parábola do bom samaritano fala exatamente disso. E o que Jesus revela vai além do consolo.

Imagine que é você.

Você saiu de casa com seus planos, sua agenda, seus compromissos. No caminho, algo deu errado e, de repente, você está no chão. Ferido. Sem forças e precisando de ajuda. E você espera. Não há nada mais que você possa fazer.

Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Lucas 10:30

Na parábola que Jesus conta em Lucas 10, um homem seguia seu caminho quando foi encontrado por um grupo de salteadores. Eles o roubaram, espancaram e o deixaram como morto na beira da estrada. Sem voz, sem forças. Dependendo completamente de alguém que o salvasse daquela situação.

A cena é brutal, e sozinho ele não conseguiria sair dali.

Quando você está no chão: ferido, sem forças, esperando

Quantas vezes nos pegamos em situações semelhantes? Crises financeiras, problemas de saúde, relacionamentos em conflito. Estamos no chão. Abalados e nocauteados.

É no meio do trajeto que às vezes surge um deserto. Um momento de fraqueza, de solidão.

Estar nesse lugar é estar com as feridas expostas, o controle perdido, as forças esgotadas. Ninguém quer estar nesse lugar, mas todos nós sabemos o que é esse lugar.

Os que deveriam ter parado — e não pararam

O que Jesus descreve logo a seguir na parábola é constrangedor — os primeiros a passar eram exatamente os que deveriam parar. Os crentes de raiz.

"E assim também um levita: quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado." Lucas 10:32

Um sacerdote. Um levita. Homens religiosos. Curtiam todas as publicações dos principais líderes das igrejas, compartilhavam versículos e leituras bíblicas, cumpriam diariamente o devocional. Performance de milhões, mas não conseguiam enxergar o próximo.

Não é como se eles não tivessem visto ou não soubessem o que fazer. Talvez estivessem com pressa, atrasados, cheios de afazeres. Todos nós temos uma agenda cheia nos dias de hoje. O fato é que eles viram o homem e não pararam. Ele precisava de ajuda, e eles não deram.

Existe uma dor específica em não ser ajudado por quem você esperava. Quando quem passa pelo seu lado sem parar é alguém do seu círculo de amigos, dói. Quando é alguém da sua igreja — ou aquele conhecido que publica frases gospel e versículos todo dia —, revolta. Não é só a ausência de ajuda, mas a distância entre o que a pessoa performa e o que ela faz de fato.

Deus não precisa de permissão para te ajudar. Aqui está o ponto que eu mais amo nessa história. O que salvou aquele homem foi um samaritano.

O samaritano: a ajuda que veio de onde você não esperava

Para os judeus da época, samaritano era sinônimo de errado — religião misturada, povo impuro, o tipo de pessoa que se evita, aquela que você considera perdida.

E foi exatamente ele quem parou.

Ele parou. Colocou o homem no seu carro, levou para o hospital, cuidou de todas as suas necessidades e gastou do próprio dinheiro.Ele parou. Colocou o homem no seu animal, levou-o para uma hospedaria, cuidou de todas as suas necessidades e gastou do próprio dinheiro.

Deus não precisou dos crentes para salvar aquele homem. Ele usou um samaritano. O perdido. E isso não é acidente — é teologia. Ele não precisa do irmão de igreja para te cuidar. Ele não está limitado às suas expectativas sobre como a ajuda deve chegar. Se você já foi ajudado por alguém que "não era o esperado" — um estranho, alguém de fora da fé, alguém de quem você não esperava nada — talvez você já tenha encontrado o seu samaritano. E por trás dele, a mão invisível de um Pai que não te abandonou no chão.

A pergunta que Jesus faz para você

Jesus terminou a parábola com uma pergunta: "Qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?"

A resposta é óbvia.

A história não foi contada só para você saber que tem um Deus que cuida de você em qualquer circunstância, mas para que você olhe para dentro e veja se não é igual ao sacerdote ou ao levita.

Quando alguém está no chão perto de você, o que você faz?

É mais difícil olhar para dentro e perguntar: nas últimas semanas, quantas vezes eu passei pelo outro lado? Não porque somos maus. Mas porque às vezes a espiritualidade que exibimos não corresponde às nossas atitudes. Postamos luz, pregamos amor, citamos Jesus e ao mesmo tempo conseguimos não enxergar quem está ferido a poucos passos de nós.

A fé que Jesus elogiou não estava nos que sabiam mais. Estava no que parou. Essa é a essência do amor ao próximo.

Deus viu. E já providenciou quem vai parar

Se você chegou até aqui ainda se sentindo no chão, ferido, abandonado, decepcionado com pessoas que deveriam ter parado e não pararam, não esqueça:

Deus viu.

Ele viu quem passou pelo outro lado. E já providenciou quem vai parar, mesmo que seja de um lugar que você não esperava, mesmo que chegue por um caminho que você não planejou.

A história do homem ferido não terminou na estrada. Terminou com ele sendo cuidado. Com misericórdia, com carinho.

A sua história também não termina no chão.

"Vai e faz o mesmo." Lucas 10:37



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Stefani Friedrich
Nooma Church