Andar por fé e não por vista é mais fácil de pregar do que de viver. Todo mundo já esteve, está ou conhece alguém que nesse exato momento vive uma situação difícil — um período da vida em que parece que tudo dá errado. É nesses momentos que a nossa visão é colocada à prova.

“Afinal, estamos sendo guiados pelo tamanho das circunstâncias ou pela certeza da nossa fé?”

Quando a pressão aperta, sem perceber começamos a andar por vista e não por fé. Passamos a enxergar a vida pelas lentes do medo, mas o Evangelho nos convida a fazer o caminho inverso: tirar os olhos do tamanho do vento e fixá-los nAquele que tem o poder de acalmar o mar.

Em meus estudos teológicos sobre Os paradigmas da fé, analisei como nossas crenças moldam a forma como enfrentamos a realidade. Mas, na prática do dia a dia, a grande questão é muito mais pessoal: o que tem guiado seus olhos e levado você a tomar decisões diante das dificuldades — as circunstâncias ao seu redor ou a fé que está em seu coração?


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Para responder a essa questão profunda, precisamos tocar no cerne da relação entre fé e percepção. O que nos move a crer e o que nos distancia dos personagens bíblicos é, na verdade, um erro de perspectiva: nós costumamos ler a Bíblia olhando para o final da história dos protagonistas, mas vivemos a nossa vida no meio do processo.

O dilema das duas realidades

Os heróis da fé não sabiam o final da história enquanto a estavam vivendo. Eles só viram o milagre acontecer quando deram o passo em direção à promessa, mesmo com medo. Nós já conhecemos o final feliz daqueles relatos — mas o grande nó que aperta em nossa mente é quando chega a nossa vez.

Surge então a dúvida silenciosa: “Deus fez na vida deles, mas será que vai fazer na minha?” O que nos move a crer incondicionalmente quando chega a nossa vez é exercitar a memória espiritual. Se Deus já nos deu provas no passado e na história, Ele fará no presente.

Para sincronizar o nosso coração com o dos personagens bíblicos, precisamos entender uma verdade libertadora: eles não eram imunes à dúvida. Eles sentiram o mesmo frio na barriga e o mesmo peso das circunstâncias que nos afetam hoje. A diferença não estava na ausência de medo, mas na decisão de qual realidade escolheriam abraçar: “o fato visível que os cercava ou a palavra invisível dAquele que falava.”

A amnésia espiritual na crise

Quando a dificuldade chega, o medo tende a gerar uma amnésia sobre o histórico de fidelidade de Deus. Por isso, o movimento para crer incondicionalmente exige o exercício ativo da memória espiritual — ou seja, lembrar-se das provas e milagres do passado para trazer estabilidade ao presente.

Fazer a escolha consciente de qual voz guiará os nossos olhos quando as circunstâncias parecerem dar errado é ter a sabedoria de não deixar que a dificuldade defina o tamanho do seu Deus.


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A prática da gratidão antecipada

A intencionalidade é a chave e a resposta para que possamos manter a nossa memória espiritual ativa quando o cenário ao redor desmorona. Lembrar de onde o Senhor já nos tirou ajuda a construir nossos próprios memoriais de fé.

Como bem nos lembra o profeta Jeremias, faça um exercício diário de trazer à memória o que te dá esperança. "

Isso trarei à memória, e por isso esperarei: as misericórdias do Senhor não têm fim, as suas compaixões não se esgotam." Lamentações 3:21-22

Converse com frequência sobre os livramentos que você já viveu. A fé incondicional não nasce do esquecimento das dores, mas da lembrança persistente de quem está no barco conosco. Treine seus olhos para lembrar do Deus do passado. Quando você abrir as Escrituras para contemplar os feitos e as promessas de Deus através da história, irá reconhecer o caráter imutável dAquele que as prometeu.

Como realinhar o olhar quando as circunstâncias dominam

A grande virada de chave não acontece quando as nossas dificuldades desaparecem, mas quando o nosso foco muda. As circunstâncias podem ser reais e até assustadoras, mas elas nunca serão maiores do que a fidelidade dAquele que te sustenta.

Quando o dia mau chegar e tentar cegar a sua visão, não gaste suas forças medindo o tamanho do problema. No fim das contas, a escolha sempre será sua: quem continuará guiando os seus olhos a partir de hoje? O peso passageiro das circunstâncias ou a certeza inabalável da sua ?

Andar por fé e não por vista é uma decisão diária de memória — e toda vez que você escolhe lembrar o que Deus já fez, o seu olhar se realinha com o que Ele ainda vai fazer.


Para continuar essa conversa

Se esse texto te moveu de alguma forma, talvez seja porque você já estava se fazendo as perguntas certas. Toda essa conversa tem um endereço. A Nooma. se reúne aos domingos, em Novo Hamburgo, clique aqui.

Vem com a gente.

Carlos Hermel
Nooma Church