Já foi julgado por um cristão que parecia perfeito por fora? Entenda o que a Bíblia chama de "aparência religiosa sem fruto" — e como isso afasta pessoas de Deus.
Jesus chegou perto de uma figueira. De longe, ela era linda — cheia de folhas, viçosa, imponente. Mas quando ele se aproximou… não tinha fruto.
Isso me lembra muito algumas pessoas — até eu, há um tempo atrás. Cheia de aparência religiosa, de linguagem certa, de presença na igreja. Mas sem fruto nenhum.
"No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. Vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se encontraria nela algum fruto. Aproximando-se dela, nada encontrou, a não ser folhas, pois não era tempo de figos. Então lhe disse: Nunca mais ninguém coma fruto de ti! E os seus discípulos ouviram isso." Marcos 11:12-14
Crentes cheios de folhas — Spurgeon já falava sobre isso
Esses dias li sobre um sermão do pregador C. H. Spurgeon chamado "Nada além das folhas". Nele, Spurgeon refletia justamente sobre essa história da figueira que Jesus amaldiçoou — e falava dos crentes cheios de folhas: aparência religiosa, palavras certas, presença frequente na igreja, mas sem fruto algum.
Pessoas que não ajudam de verdade no plano de Deus, que não mudam de verdade por dentro, que continuam com as mesmas paixões, e que ainda criticam e invejam os outros.
Quando olhamos para dentro das igrejas — e até para dentro de nós mesmos, se formos honestos — há muitas árvores cheias de folhas, mas com zero frutos. Eu não quero ser essa figueira, e acredito que você também não. Então vamos conversar um pouco mais sobre isso.
A questão nunca foi fé. Foi fachada.
A diferença entre fé e fachada
Um ponto importante: esse assunto não tem a ver com fé. Quem é cheio de folhas acredita em Deus, tem fé, confia na sua palavra, crê na Bíblia.
As pessoas de quem estamos falando são aquelas que manifestam a fé mais para fora — com performance — e pouco por dentro. São pessoas que muitas vezes admiramos pelos grandes feitos: fazem o devocional todos os dias, já leram a Bíblia dez vezes, fazem orações bonitas. Mas, por dentro, o coração está cheio de espinhos e abrolhos.
"Mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada." Hebreus 6:8
Passei muito tempo da minha vida confundindo muitas folhas com uma árvore frutífera. Principalmente logo quando me converti: não saía da igreja, me alimentava da palavra de Deus como se estivesse faminta — mas, quando alguém chegava perto de mim, eu só tinha palavras de julgamento e condenação.
Achava que, pelo muito conhecimento, eu era digna de apontar erros e sentenciar — mas me faltava maturidade espiritual. Pensamos que já chegamos a algum lugar, mas estamos sempre amadurecendo na fé.
O que a imaturidade faz, principalmente, é isto: em vez de acolher o irmão que chegou ferido, jogamos dardos inflamados contra ele. Acreditamos que somos donos do juízo, e que aquela pessoa está naquela situação por causa dos seus muitos pecados. Mas quem somos nós?
Esquecemos do mais importante: somos servos, não senhores. A justiça cabe a Deus, não a nós. O que Jesus nos ensinou a fazer é acolher, ensinar a palavra de Deus e amar uns aos outros.
"Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros." João 13:34
O outro lado da moeda
Você já esteve do outro lado? Sendo julgado por algum crente cheio de folhas, que sabia exatamente onde você estava errando e o que você precisava fazer para "merecer a salvação"?
Eu já estive algumas vezes, e sei o quanto dói esse lugar. A gente fica desesperado ou revoltado — e o fato é que apontar o dedo nunca nasce de um coração frutífero.
Já vi também pessoas sendo machucadas por irmãos que só sabem condenar. Vi alguém se afastar da igreja, romper com a irmã na fé e falar absurdos contra Deus por causa de um julgamento. Olha o poder que temos.
Nossas palavras podem ser a última coisa que alguém ouve antes de fechar a porta para Deus. Isso é muito sério.
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Às vezes o problema está nas raízes
A biologia explica que há uma relação direta entre as raízes e a produção de frutos. Muitas vezes as árvores estão viçosas, cheias de folhas lindas e verdes — mas não nasce fruto nenhum.
O motivo pode ser um solo muito compactado: terra com pouco ar, onde as raízes não conseguem respirar nem captar água suficiente para crescer. Isso me lembra da minha afobação no início da conversão — eu lia, lia, lia, orava, orava, orava, mas não parava para ouvir, para meditar no que tinha lido, para ter revelação.
Outro fator que pode prejudicar o crescimento são as raízes cortadas — aquelas que cortamos fora porque é doloroso demais cuidar delas. Mas o resultado desse corte, onde deveríamos adubar para crescer, é a falta de fruto na árvore.
Os vasos pequenos também prejudicam, porque impedem que as raízes sigam seu caminho de crescimento. E aqui entram os irmãos que condenam, abusam e tentam controlar outros irmãos — com certeza você já viu algum caso assim virar manchete.
Por último, os ataques de fungos também impedem o crescimento de frutos. E aqui me vêm à mente os pecados que mantemos por vontade própria. Cada um de nós sabe quais "pecados de estimação" ainda guarda — e eles poluem o solo, impedindo que frutos cresçam na nossa vida.
Voltando à pergunta do início
Você já desistiu de Deus por causa da torcida organizada? Talvez sim. Talvez você tenha encontrado uma figueira cheia de folhas verdes e bonitas, mas que te condenou, te julgou, te fez sentir não amado por Deus.
Mas talvez a pergunta que vale a pena fazer agora seja: que tipo de árvore você tem sido? Será que alguém faminto encontra frutos em você, ou você só tem cuidado para ter folhas bonitas?
Cuidar das raízes saudáveis dá trabalho. Exige dedicação, carinho, esforço — mas é só com raízes saudáveis que teremos árvores com frutos.
De que forma você pode cuidar das suas raízes hoje?
Para continuar essa conversa
Se esse texto tocou numa pergunta que você ainda não havia formulado, o próximo passo não é buscar mais uma resposta sozinho. Aos domingos, na Nooma., estamos começando a série Vida no Espírito — sobre o que o Espírito Santo produz de dentro para fora em quem confia nele. Você pode chegar com qualquer resultado na bagagem.